Festival Nicho Novembro 2025

O QUE VAI ROLAR O Festival Nicho Novembro 2025 acontece de 5 a 9 de novembro, com uma programação gratuita que celebra o Mês da Consciência Negra. Nesta edição, o evento acontece presencialmente em São Paulo, com exibições e atividades no CCSP e Instituto Moreira Salles, parceiros do evento há três anos, e na Cinemateca Brasileira e no Itaú Cultural, espaços que integram o circuito pela primeira vez. Para o público de todo o país, parte da programação também estará disponível online na Sala 54

CURADORIA DA 7 EDIÇÃO

A curadoria de 2025 é inteiramente assinada por mulheres negras, reafirmando o compromisso da organização em promover a equidade de gênero e raça na produção cinematográfica.

Nesta edição, a diretora artística Fernanda Lomba buscou posicionar o olhar mulher negra como força criadora e analítica do cinema nacional. As curadoras Daniela Siqueira, Lorenna Rocha e Mariana Queen Nwabasili apresentam recortes e perspectivas próprias que revelam a pluralidade da mulher negra na construção de imaginários e narrativas no audiovisual.

A programação inclui 32 títulos, entre curtas, médias e longas-metragem. Com obras realizadas entre a década de 1970 e filmes lançados em 2025, a curadoria do festival propõe a revisitação de trabalhos singulares na história do cinema negro brasileiro, em diálogo com a producao contempôranea. Das 12 sessões programadas, cinco terão debates conduzidos pelas curadoras e diretora artística.


Pensar a criança, a mulher e o homem negros a partir de imagens e sons construídos para eles pelo cinema brasileiro.
Esse foi o ponto de partida que orientou o meu olhar na construção de três, das nove sessões da programação.

Para nossos pequenos, seis títulos trazem beleza para os olhos e, ao mesmo tempo, reflexões para a vida.
São eles: Òpárá de Òsùn: quando tudo nasce (2018), Pamela Pelegrino;
Lulina e a lua (2023), Marcus Vinicius Vasconcelos e Alois Di Leo;
Lagrimar (2024), Paula Vanina;
Meu nome é Maalum (2021), Luísa Copetti;
O que vi (2024), Victor Abreu;
Para onde vão os animais (2024), Rogério Borges.

Nas animações, o uso das cores, o apuro estético, a delicadeza dos movimentos e o trabalho com as personagens, quase todas crianças, destacam pela forma aspectos do mundo infanto-juvenil que afetam o cotidiano, seja pelo ponto de vista religioso ou mesmo pela construção da identidade negra.
A ficção é contemplada por meio de uma produção profissional e outra feita por estudantes de uma escola pública rural, na melhor manifestação das relações entre cinema e educação.
Em ambos, a certeza de que o espanto para o mundo deve ser cultivado desde a infância para que, no futuro, o adulto não se perca desmesuradamente em escolhas tão soberanamente racionais.

 

Em uma dinâmica que busca compreender a mulher negra no contemporâneo entre dois pólos distintos, a dor e a emancipação, temos o curta
Cor de pele (2019), de Larissa Barbosa, e o longa
Temporada (2018), de André Novais Oliveira.
Se, em 2025, é possível constatar uma sensível ampliação do debate sobre a mulher negra no Brasil, os filmes aqui são aproximados para nos lembrar que talvez não seja somente sobre ver, mas sim sobre melhor pensar.

 

Já o homem negro é apresentado, incidindo sobre ele a passagem do tempo.
Do longa de 1970, Crioulo doido, de Carlos Alberto Prates Correia, ao curta
Rapsódia para um homem negro (2015), de Gabriel Martins, temos uma mudança drástica na tecnologia que propicia a captação das imagens e sons, da película cinematográfica para o sistema binário de zeros e uns.

Assim, do analógico para o digital, as obras nos permitem a pergunta: o que se preserva quando um filme consegue permanecer no tempo?
E mais: com a exibição dessas obras, esperamos que seja possível perceber passados que se repetem com e sem diferença na vida da sociedade brasileira.

INVENÇÕES MALICIOSAS reverbera o debate proposto sobre cinema negro brasileiro no ensaio assinado pela plataforma INDETERMINAÇÕES (Lorenna Rocha e Gabriel Araújo) para a publicação Cinemateca Negra.
Com filmes de 1977 a 2025, as sessões destacam a imaginação negra em seus métodos furtivos, maliciosos e ambiciosos na produção das imagens.

Na primeira sessão, ARTIMANHAS, acompanhamos uma turma do morro com uma câmera roubada nas mãos.
Em Ladrões De Cinema (Fernando Coni Campos, 1977), o grupo quer contar sua própria história.
Mas, qual? E, sobretudo, como?

No programa seguinte, DO SANGUE AO FOGO, La Santa Cena (Everlane Moraes, 2015) se conecta ao longa-metragem Na Boca Do Mundo (Antonio Pitanga, 1978).
O silêncio do espaço demanda um estado de observação ativa.
De um lado, o mistério de uma prática religiosa se impõe dentro de uma casa.
Do outro, a tragédia de uma terra chamada Brasil se alastra na relação entre uma mulher mestiça, outra branca e um homem negro.
Do sangue ao fogo, o desafio é sustentar o olhar diante da ambiguidade das imagens.

Na última sessão, ENTRE O ROUBO E A MORTE, cinco curtas-metragens se combinam em direções infinitas e bancam o risco da invenção com figurações e eminências da morte.
O Filme Do Filme Roubado Do Roubo Da Loja De Filme (Marcelo Yuka, Paulo Silva e Julio Pecly, 2006) aponta uma arma como dispositivo cômico e embaralha os sentidos de um grande título do cinema brasileiro.
Adulto Não Brinca (Adélia Sampaio, 1980) vela um corpo em segredo infantil.
Filme Dos Outros (Lincoln Péricles, 2014) reúne um conjunto de imagens roubadas e tateia o limite da existência de seu próprio dispositivo fílmico.
Ajude Os Menor (Janderson Felipe e Lucas Litrento, 2025) reinventa o western no chão de um prédio em construção.
Será a hora certa de atirar?
Bad Galeto: No Limite Da Morte (Amandla Veludo, Lorran Dias e Def Ex Machina, 2017) dança com a morte numa noite sem fim.

Malícia, aqui, não se apresenta como elemento negativo ou depreciativo, mas de natureza truqueira, ambivalente, cheia de significações.


Sessão 1: ARTIMANHAS
Ladrões de Cinema (Fernando Coni Campos, 1977)

Sessão 2: DO SANGUE AO FOGO
La Santa Cena (Everlane Moraes, 2015) e Na Boca Do Mundo (Antonio Pitanga, 1978)

Sessão 3: ENTRE O ROUBO E A MORTE
O Filme Do Filme Roubado Do Roubo Da Loja De Filme (Marcelo Yuka, Paulo Silva e Julio Pecly, 2006)
Adulto Não Brinca (Adélia Sampaio, 1980)
Filme Dos Outros (Lincoln Péricles, 2014)
Ajude Os Menor (Janderson Felipe e Lucas Litrento, 2025)
Bad Galeto: No Limite Da Morte (Amandla Veludo, Lorran Dias e Def Ex Machina, 2017)

 

Mariana Queen Nwabasili

Inspirado na sinopse do documentário “Um filme de dança” (2018), de Carmen Luz, o título desta programação — O domínio de corpos negros sobre suas próprias danças – se relaciona, de forma poética, com reivindicações históricas de pensadoras/es negras/os brasileiras/os (como Maria Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez) a respeito da necessidade do estudo e da escrita de nossa História serem feitos, sobretudo, por mãos e corpos negros. No campo dos Estudos de Cinemas Negros Brasileiros, essa é também a proposta do livro “Cinemateca Negra” (2024), ao ser literalmente idealizado e escrito por curadoras/es e pesquisadoras/es negras/os, e ao dar a ver – de forma pela primeira vez organizada – a produção de cineastas negros brasileiros ao longo da história do cinema nacional.

São diálogos evidentes com as perspectivas da historiadora, poeta e precursora dos Estudos de Cinemas Negros Brasileiros Maria Beatriz Nascimento (1942-1995), que academicamente militou a respeito da necessidade dos negros poderem escrever (e se inscrever em) sua própria história como constitutiva da História do Brasil. São perspectivas que – bem como o Feminismo Negro e Interseccional associados a nomes precursores como Nascimento e Lélia Gonzalez – contaminam esta programação e, mais do que isso, transpassam e costuram suas sessões com destaque para realizadoras mulheres negras.

É por isso que a sessão “(An)Danças até aqui” tem início com um arquivo em vídeo de uma entrevista concedia por Maria Beatriz Nascimento para o SRTV (Serviço de Rádio e Televisão da Embrafilme)[1], na qual a historiadora aponta o papel do cinema na relação com a narrativa (negra) da história nacional. O material abre os caminhos para o  destaque de mais duas mulheres que, bem como Nascimento, ainda devem ser devidamente reconhecidas na História: a diretora de “Balé de Pé no Chão – A Dança Afro de Mercedes Batista”, Lilian Solá Santiago, e a própria personagem-título desse precioso documentário em média-metragem. 

O filme não apenas historiciza os passos pioneiros, árduos e importantes de Mercedes Batista para a codificação da dança afrobrasileira, como também demonstra suas interlocuções nesse caminho com nomes como Abdias Nascimento. Andanças na dança que se relacionam diretamente com a sessão “Corpos-negros-bailarinas”, que coloca na telona e em discussão a pluralidade de corpos, vozes, gestualidades e partituras corporais negras presentes no já mencionado “Um filme de dança”.

Já a sessão “Negras malocas: imagens sociais e culturais dos Brasis”[2] relaciona curtas-metragens que tensionam certezas sobre as suspostamente ideais formas de representação dos negros em filmes e em demais produções audiovisuais. Enquanto “Retrato em Preto e Branco” (1992), de Joel Zito Araújo, evidencia as formas racistas, estereotipadas e também ludibriantes das representações da diversidade racial e cultural no Brasil, “Orwo Foma” (2012), de Lia Letícia e Karen Black, e “Mina de Fé” (2004), de Luciana Bezerra, nos levam às seguintes perguntas: 

Ainda há formas inventivas, não óbvias, poéticas e impactantes de artistas negras representarem e discutirem a violência contra corpos negros e de mulheres negras? Até que ponto “limpar” as artes negras das violências nas imagens e como estética é renovar ou limitar imaginários artísticos e as formas de ver a realidade e lidar com ela para transformações materiais (não apenas nas imagens)? São questões que ganham densidade com o debate de gênero explicitado por Lélia Gonzalez na entrevista em vídeo da ainda pouco estudada e historicizada produtora Enugbarijó Comunicações[3].

Ao exibir “As cegas” (1982), de Maria Antonia Ágape, e “A Peleja do Bumba Meu Boi Contra o Vampiro do Meio Dia” (1981), de Luiz “Lula” Lourenço e Pedro Aarão,  a sessão e o próprio programa nos permitem reconhecer que, por meio do protagonismo de corpos-cabeças negros que narram dançando e filmando, seguimos em permanente descoberta e construção da História do país e dos cinemas brasileiros (negros ou feitos por negros).

 

DE OLHO EM NOVOS TALENTOS

Pela primeira vez, o Festival Nicho abre sua curadoria para receber a estreia de três curtas documentais de novos talentos negros do país. As produções fazem parte do programa de aceleração de talentos Narrativas Negras Não Contadas – Black Brazil Unspoken, de WBD Access, que atua por meio de programas de desenvolvimento e mentoria, operando como um poderoso canal que conecta talentos de grupos sub-representados aos conteúdos e marcas da empresa. Os filmes “Meu Nome é Tiana”, “Camisa 9” e “Melodia Ancestral” estarão disponíveis na HBO Max e HBO em 10 de novembro.

A inauguração da sessão première em uma edição de viés histórico oportuniza ao festival costurar perspectivas de passado, presente e futuro para proporcionar ao seu público-alvo revisitação crítica ao lado de oportunidades atuais na produção audiovisual.

DEBATES URGENTES NO BRASIL

Ponto alto da programação, as Conversas de Cinema & Sociedade reúnem artistas, pensadores e pesquisadores para refletir sobre o impacto das representações negras no cinema e na vida pública. Em um contexto de ascensão de discursos conservadores, os quatro encontros propõem um diálogo urgente sobre raça, gênero, cultura e políticas de representatividade no Brasil contemporâneo.

Bethania Maia, produtora e conselheira do NICHO 54 e Manuela Thamani, diretora executiva do Observatório da Branquitude se reúnem no painel Observar para Transformar para debaterem dados lançados recentes pelas organizações que evidenciam o contraste entre o privilégio branco e a falta de acesso de pessoas negras a direitos constitucionais, na sociedade e na cultura.

As pesquisadoras-autoras e curadoras da edição, Daniela Siqueira, Lorenna Rocha e Mariana Queen Nwabasili se reúnem no painel O pensamento e a pesquisa cinematográfica de mulheres negras para compartilhar com o público reflexões sobre o campo de estudos de cinema – em especial cinemas negros -, preservação audiovisual, memória e curadoria.

Na conexão cinema e sociedade, a cineasta Mariana Luiza se junta ao roteirista Raul Perez no painel Evidências de Domínio para debater o impacto da pesquisa do documentário “A Cor da Margem” (de Mariana Luiza, em desenvolvimento) que deu origem ao projeto Linhas de Cor, acervo digital de leis brasileiras que denunciam a hierarquia racial no país.

Já o painel Desapagar e Fomentar reúne representantes do NICHO 54 e da APTA (Associação de Profissionais Trans do Audiovisual) que debatem a partir de mapeamentos recém-lançados o trabalho de desapagar trajetórias de pessoas negras e pessoas trans no audiovisual, além de apresentar forças de colaboração e fomento a artistas sub representados.

CINEMATECA NEGRA, UM MARCO HISTÓRICO

A edição deste ano tem como provocador temático a publicação “Cinemateca Negra”, lançada em 2024 pelo Instituto NICHO 54, realizador do festival, reunindo artigos e uma lista inédita de 1.104 filmes dirigidos por pessoas negras no Brasil entre 1949 e 2022.

Idealizado e coordenado por Heitor Augusto, com pesquisa de Bruno Galindo e Rute Pina e artigos comissionados de Daniela Siqueira, Gabriel Araújo e Lorenna Rocha, Mariana Queen Nwabasili e Bruno Galindo, o estudo traz o maior levantamento já realizado sobre a presença negra na direção cinematográfica nacional, um marco histórico que evidencia a riqueza, diversidade e contribuição de cineastas negros na construção do audiovisual brasileiro.

EDUCAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO NUM SÓ LUGAR

Durante o festival será realizada a segunda edição do LAB NICHO 54 – espaço de promoção ao desenvolvimento e internacionalização.

8 projetos selecionados receberão 10 horas de consultorias e master class e concorrem a um prêmio que promove o intercâmbio de uma pessoa produtora para o Marché du Film 2026, mercado do festival de Cannes.

O prêmio de impulsionamento internacional é oferecido pelos parceiros do NICHO 54, Instituto Guimarães Rosa e Projeto Paradiso.

PROGRAMAÇÃO PRESENCIAL

05/11 – QUARTA-FEIRA

Sessão de abertura – COM DEBATE
18h30 – Cinemateca Brasileira – ingressos retirados com uma hora de antecedência na
bilheteria

“VOZ ZOV VZO”, de Yhuri Cruz
51 min. / Drama/Musical Experimental / 2025 / Rio de Janeiro / 16 anos
Rio de Janeiro, 1975. Dentro de um estúdio, vários amigos se reúnem em torno de uma carta. À medida que as palavras são ditas em voz alta, seu significado se intensifica, oferecendo uma perspectiva racializada sobre memórias da ditadura militar brasileira.

06/11 – QUINTA-FEIRA

Sessão Beleza para os olhos, reflexões para a vida de nossos pequenos – INFANTIL
10h30 – Itaú Cultural – ingressos retirados com 1hora de antecedência na bilheteria

Ópará de Ósún: Quando tudo nasce
Dir. Pâmela Peregrino
4 min, Animação, 2018, Brasil
Com o título em Yorubá, língua africana trazida para o Brasil, a animação conta a história da Orixá das águas doces, que no Candomblé é Òsùn a deusa da fertilidade que faz tudo nascer e viver na força do Axé.

Lulina e a Lua
Dir. Alois Di Leo e Marcus Vinícius Vasconcelos
13min,Fantasia, 2023, Brasil
Lulina desenha seus maiores medos sobre o branco infinito do solo da Lua. Magicamente, suas ilustrações ganham vida, revelando que os monstros que assombram seus pensamentos são, na verdade, menos aterrorizantes do que a sua imaginação os pintava.

Lagrimar
Dir. Paula Vanina
13’58’’ / Animação / 2024 / Natal
Sozinha e rodeada pela seca, Joana é uma menina que vive em busca de água. Sua jornada deixa de ser solitária e ganha novo significado quando um inesperado e enigmático encontro acontece.

Meu nome é Maalum
Dir. Luísa Copetti
8’ / Animação / 2021 / Brasil
Maalum é uma menina negra que nasce e cresce em um lar cheio de amor e referências afro-centradas. Quando vai à escola, seus colegas riem de seu nome e ela não entende por que. Com a ajuda de sua família, ela descobre o significado de seu nome e de sua ancestralidade, transformando tristeza em orgulho.

O que vi
Dir. Victor Abreu
15’ / Drama / 2023 / Brasil
É um dia de espera do menino Chico e de sua avó Rosa, tanto por melhores notícias do hospital, quanto pelo eclipse lunar.

Para onde vão os animais
Dir. Rogério Borges
15 min / Ficção / 2024 / Brasil
Sem dinheiro para comprar comida e ração, a vice-diretora de uma escola agrícola decide rifar o cavalo, gerando revolta nos estudantes, enquanto os animais matutam um plano.

Conversa Observar para Transformar – Itaú Cultural
14h00 – ingressos retirados com 1hora de antecedência na bilheteria

Reprise Sessão Abertura “Voz Zov Vzo”, de Yhuri Cruz – 16h30 – CCSP

Sessão Passados que se repetem com e sem diferença
19h00 – CCSP – Sala do Circuito Spcine – retirada de ingresso com 1h de antecedência na bilheteria

Rapsódia para um homem negro
Dir. Gabriel Martins
24’. Ficção, 2015, Brasil
Odé é um homem negro. Seu irmão, Luiz, foi espancado até a morte durante um conflito em uma ocupação em Belo Horizonte.

Crioulo Doido
Dir. Carlos Alberto Prates Correia
62’, Ficção, 1970, Brasil
Felisberto descobre que o mundo vai acabar e decide enriquecer depressa. O rapaz, negro, sonha com investimentos e bonança. Mas, só consegue vivenciar as imprevisíveis atitudes da esposa e as mazelas do racismo.

Conversa O pensamento e a pesquisa cinematográfica de mulheres negras
19h – Cinemateca Brasileira – retirada de ingresso com 1h de antecedência na bilheteria

07/11 – SEXTA-FEIRA

SESSÃO Première Narrativas Negras não contadas – COM DEBATE
14h00 – Cinemateca Brasileira – ingressos retirados com 1h de antecedência na bilheteria

Melodia Ancestral
Dir. Beatriz Costa
15’, Documentário, 2025, Brasil
Uma jovem diretora e produtora paulistana decide investigar a trajetória de seu avô, Antônio Vaz do Nascimento, um maestro negro responsável por uma orquestra popular que animava bailes na periferia de São Paulo, entre as décadas de 1950 e 1980.

Meu Nome é Tiana
Dir. Dafny Bastet
16’, Documentário, 2025, Brasil
Aos 92 anos, a travesti negra Tiana é a mais idosa do Brasil. Moradora de Governador Valadares (MG), ela desafia as estatísticas do país que, ainda hoje, lidera o ranking mundial de assassinatos contra pessoas trans. Devota da fé católica, Tiana divide seu tempo entre orações em sua paróquia católica e a convivência com a comunidade LGBTQIAPN+.

Camisa 9
Dir. Guilherme Baptista
15’, Documentário, 2025, Brasil
Camisa 9 foi um programa de mesa redonda de futebol apresentado por três jornalistas negros da família Baptista, no Rio de Janeiro, no final dos anos 80. Irreverente e inovador, o formato influenciou a linguagem esportiva na televisão brasileira. O documentário reconstrói o legado desses profissionais que marcaram o imaginário do futebol nacional.

SESSÃO Corpos- Negros-Bailarinas
16h30 – Cinemateca Brasileira – ingressos retirados com 1h de antecedência na bilheteria

Um filme de dança
Dir. Carmen Luz
90’, Documentário, 2018, Brasil
Filmado em quatro grandes cidades brasileiras e em Nova York, este documentário mostra as histórias pessoais, filosofias e o trabalho de alguns dos mais atuantes criadores negros da dança no Brasil.

Reprise Sessão Passados que se repetem com e sem diferença – DEBATE COM CURADORA

16h30 CCSP – Sala do Circuito Spcine

SESSÃO Artimanhas
19h00 – Cinemateca Brasileira – ingressos retirados com 1h de antecedência na bilheteria

Ladrões de Cinema
Dir. Fernando Coni Campos
107’, Ficção, 1977, Brasil
Depois de assaltar uma equipe de filmagem de Hollywood, um grupo de moradores da comunidade do Rio de Janeiro resolve produzir um filme que expressa a realidade do Brasil usando como tema a Inconfidência Mineira.

SESSÃO (An)danças de antes e até aqui 
19h00 – CCSP – Sala do Circuito Spcine – retirada de ingresso com 1h de antecedência na bilheteria

SRTV 043 – Trecho de Entrevista com Beatriz Nascimento
12’, Entrevista, 1979, Brasil
A historiadora e intelectual negra Beatriz Nascimento comenta sobre títulos do cinema nacional.

Balé de pé no chão – A Dança Afro de Mercedes Baptista
Dir. Lilian Solá Santiago e Marianna Monteiro, 2006) –
52’, Documentário, 2006, Brasil
O documentário acompanha a singular trajetória de Mercedes Baptista, considerada a principal precursora da dança afro-brasileira. Bailarina de formação erudita, a partir da criação de seu grupo, no início da década de 1950, volta-se para o estudo dos movimentos rituais do candomblé e das danças folclóricas. Suas criações coreográficas permanecem até hoje identificadas como repertório gestual da dança afro.

08/11 – SÁBADO

LAB NICHO 54 (atividade formativa para convidados) – 10h – IMS Paulista

SESSÃO Do Sangue ao fogo
14h00 – Cinemateca Brasileira – ingressos retirados com 1h de antecedência na bilheteria

La Santa Cena
Dir. Everlane Moraes
15’, Documentário, 2015, Brasil e Cuba
O cotidiano de uma família afro cubana e a relação entre o carnal e o espiritual no sacrifício do seu último galo para comer.

Na Boca Do Mundo
Dir. Antonio Pitanga
100’, Ficção, 1978, Brasil
Antônio ama Terezinha e seu objetivo é deixar Atafona, pequena cidade de pescadores, que não oferece maiores perspectivas de vida. Antônio trabalha em um posto de gasolina, enquanto Terezinha passa os seus dias vendendo caranguejos aos poucos turistas que aparecem. É quando chega Clarisse, mulher rica da cidade grande. Ao conhecer Antônio, pouco a pouco Clarisse vai se interessando por aquele homem pobre e rude. O romance que começa a surgir entre os dois não abala Terezinha, que o vê como a grande chance de abandonar a vila e realizar seus planos de ascensão social. Para isso, estimula os encontros dos dois, sugerindo a Antônio que engravide Clarisse.

Reprise Sessão (An)danças até aqui
16h30 CCSP – Sala do Circuito Spcine

Conversa Evidências de Domínio
16h30 – Cinemateca Brasileira – retirada de ingresso com 1h de antecedência na bilheteria

SESSÃO Negras malocas: imagens sociais e culturais dos Brasis
19h00 – Cinemateca Brasileira – ingressos retirados com 1h de antecedência na bilheteria

As Cegas
Antônia Ágape
10’, Documentário, 1982, Brasil
Em um bairro pobre de Campina Grande, três irmãs cegas cantam e contam as dificuldades de sobrevivência.

A Peleja do Bumba Meu Boi Contra O Vampiro do Meio Dia (1981)
Dir. Luiz (Lula) Lourenço e Pedro Aarão.
23’, Experimental, 1981, Pernambuco
Um vampiro ronda a feira de Caruaru.
O projeto de digitalização é uma parceria entre o pesquisador Felipe Karnakis e a Cinelimite, responsável pelo escaneamento das obras em 2K. Contou ainda com a colaboração de Silas Alexandre, do Acervo de Vídeo Popular de Pernambuco, além do apoio da Cinemateca Pernambucana e da Fundação Joaquim Nabuco.

Retrato em Preto e Branco
Dir. Joel Zito Araújo, 1992) –
15’. Documentário, 1992, Brasil
O documentário é estruturado como uma vídeo-carta de um homem negro denunciando a persistência do racismo na sociedade e na mídia brasileira, um século depois do fim oficial da escravidão. Apresenta, assim, as contradições entre duas imagens das relações raciais no Brasil: a imagem divulgada no exterior, que difunde o mito da democracia racial, e a imagem interna, apresentada nos livros didáticos e na televisão, nos quais são perpetuados os estereótipos negativos contra a população negra.

Orwo Foma
Dir. Karen Black e Lia Letícia
4’. ficção, 2012, Brasil
Tudo é lindo em uma mulher.

CULTNE – Lélia Gonzalez – Pt 2
Vik Birkbeck e Ras Adauto
11’, Entrevista, 1989, Brasil
Recorte da entrevista de Lélia Gonzalez para o documentário “As Divas Negras do Cinema Brasileiro” que apresenta entrevistas e performances com atrizes negras de cinema, do teatro e da televisão. Elas narram suas histórias de vida e de suas carreiras, atravessadas pelo racismo e por intensas lutas e resistências.

Mina de Fé
Dir. Luciana Bezerra
15’, ficção, 2004, Brasil
A vida de uma jovem pode ser realmente difícil quando seu amor é o chefe do tráfico. Assim é Silvana.

SESSÃO ENTRE O ROUBO E A MORTE – DEBATE COM CURADORA
19h00 – CCSP – Sala do Circuito Spcine – retirada de ingresso com 1h de antecedência na bilheteria

O Filme Do Filme Roubado Do Roubo Da Loja De Filme
Dir. Marcelo Yuka, Paulo Silva e Julio Pecly
18’, ficção, 2006, Brasil
Um cara compra um celular roubado, que tem gravado um filme, contendo um assalto de uma locadora.

Adulto Não Brinca
Dir. Adélia Sampaio
9’, ficção, 1980, Brasil
A tradição da malhação do Judas no subúrbio. O boneco é colocado na rua como um cadáver, e um bando de crianças se vê às voltas com as consequências dessa inovação.

Filme Dos Outros
Dir. Lincoln Péricles
20’, ficção, 2014, Brasil
Eles filma, nóis assiste.

Ajude Os Menor
Dir. Janderson Felipe e Lucas Litrento
15’, ficção, 2025, Brasil
Em um prédio em construção, um entregador almoça com amigos pedreiros e observa o conflito do engenheiro com o mestre de obras.

Bad Galeto: No Limite Da Morte
Dir. Amandla Veludo, Lorran Dias e Def Ex Machina
15’, ficção, 2017, Brasil
Perdido na night, morto de desgosto, Galeto é atormentado pela Nóia e encorajado a seguir o caminho do mal.

09/11 – DOMINGO

LAB NICHO 54 (atividade formativa para convidados) – 10h – IMS Paulista

SESSÃO A mulher negra no contemporâneo
14h00 – Cinemateca Brasileira – ingressos retirados com 1h de antecedência na bilheteria

Cor de pele
Dir. Larissa Barbosa
3’, ficção, 2019, Brasil
Cor de Pele se enuncia através de um poema, retratando questões que permeiam a vida de mulheres negras, como o machismo e o racismo, mas também a ancestralidade e a força que essas mulheres encontram em sua união, entendendo que essas narrativas, apesar de distintas, estão calcadas em uma mesma raiz.

Temporada
Dir. André Novais Oliveira
117’, Ficção, 2018, Brasil
Juliana está se mudando de Itaúna, no interior do estado, para a periferia de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, para trabalhar no combate às endemias na região. Em seu novo trabalho, ela conhece pessoas e vive situações pouco usuais que começam a mudar sua vida. Ao mesmo tempo, ela enfrenta as dificuldades no relacionamento com seu marido, que também está prestes a se mudar para a cidade grande.

Reprise Sessão Entre o roubo e a morte
16h30 CCSP – Sala do Circuito Spcine

Conversa Desapagar e Fomentar
16h30 – Cinemateca Brasileira – retirada de ingresso com 1h de antecedência na bilheteria

SESSÃO DE ENCERRAMENTO
19h00 – Cinemateca Brasileira – ingressos retirados com 1h de antecedência na bilheteria

4 Meninas
Dir. Karen Suzane
102’, Drama histórico, 2025, Brasil, 14 anos
Encarregadas dos cuidados pessoais de quatro estudantes em um internato no interior, quatro meninas escravizadas sobrevivem às suas circunstâncias sonhando com a liberdade. Quando um romance impensado põe a vida de Lena em perigo, os sonhos de fuga tornam-se necessidade, e as quatro meninas decidem fugir. Para sua surpresa, suas sinhás descobrem o plano – e exigem ir junto.

FICHA TÉCNICA DO FESTIVAL 7 EDIÇÃO

Direção Artística Fernanda Lomba
Curadoras Daniela Siqueira, Lorenna Rocha e Mariana Queen Nwabasili
Coordenação Executiva Lilian Vergara
Coordenação Geral de Produção Nina Barros
Produção de Cópias Duca Caldeira
Gestão de Comunicação Digital Car ol i ne Eulália
Edição de vídeos Taynara Miguel
Identidade Visual e Designer Clarice Wenzel
Assessoria de Imprensa Kelly Santos I Midia Pente Fino
Assessoria de Imprensa Adriana Terra I Mídia Pente Fino
Assistência de Produção Rafaella Leão
Vinheta Luiz Gabriel Franco
Transmissão ao Vivo Raquel Zorzi I Compasso Coolab
Programação Site e Plataforma Gomake Digital
Pós Produção Quanta Pós

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