O que foi o NICHO NOVEMBRO e por que ele importa tanto
Entre os dias 20 e 30 de novembro de 2019, São Paulo recebeu um evento que mexeu com corações, ideias e futuros: o NICHO NOVEMBRO. Numa mistura linda de encontros, filmes, oficinas e celebrações, nasceu oficialmente o Instituto NICHO 54 um espaço dedicado à formação de profissionais negros no audiovisual.
Mais do que um evento, o NICHO foi um manifesto vivo por mais presença negra nas telas, por trás das câmeras e nas decisões do mercado.
Tudo começou com uma conversa acolhedora
O pontapé inicial
No primeiro dia, os fundadores Fernanda Lomba, Raul Perez e Heitor Augusto se sentaram com o público para uma conversa informal. Sem palco ou distanciamento, eles falaram sobre sonhos, planos e sobre o que o Instituto NICHO 54 queria construir.
Além deles, a presença da diretora da Spcine, Malu Andrade, mostrou que essa proposta estava sendo levada a sério. Um momento de escuta mútua e troca genuína.
Filmes que falam, tocam e transformam
A mostra Amor Negro Herói
Durante os dez dias, o evento exibiu 16 filmes nacionais e internacionais. A curadoria, feita com sensibilidade por Heitor Augusto, levou para a tela histórias de resistência, coragem e beleza de corpos e vivências negras.
Momentos que marcaram:
- A presença do diretor Luiz Franco, após a exibição do curta Kadandu.
- A sessão do longa britânico No Shade, com presença da diretora Clare Anyiam-Osigwe.
- Tradução simultânea feita de forma colaborativa, mostrando que quem acredita no projeto, ajuda como pode.
Aprender, compartilhar, crescer juntos
Os workshops de formação
Quatro oficinas, dois dias intensos, e muita sede de conhecimento. Cada workshop durou cerca de três horas, com intervalos e almoço oferecido pelo evento. O ambiente era de colaboração: gente nova, gente experiente, todas e todos aprendendo juntas.
Temas abordados incluíram:
- Processos criativos no audiovisual
- Roteiro e narrativa negra
- Produção independente
- Direção com identidade
Uma conversa que abriu caminhos
A masterclass com Maria Angela (Netflix)
No último dia, a executiva da Netflix Maria Angela trouxe sua história e experiência para uma plateia diversa de estudantes a produtoras veteranas. Ela falou das dificuldades, dos aprendizados e das portas que ainda precisamos abrir.
Mais do que dicas de mercado, foi um espaço de inspiração real, onde o público pôde perguntar, conversar e se enxergar.
Com apoio coletivo, tudo é possível
O NICHO NOVEMBRO foi realizado graças a uma rede de apoio que uniu empresas, profissionais e instituições:
- 57,75% do investimento veio da Spcine
- 42,25% veio de doações e parcerias voluntárias
A produção executiva, liderada por Fernanda Lomba, conseguiu orquestrar tudo isso com muito cuidado, escuta e paixão.
E no fim, ficou aquela sensação boa…
O que ficou depois do último filme, do último café, da última conversa? Ficou a certeza de que o audiovisual brasileiro é mais forte quando é mais plural. Que a representatividade não é apenas importante ela é urgente.
O NICHO NOVEMBRO mostrou que quando a gente se junta, acredita e faz, o resultado toca fundo. E essa foi só a primeira edição. Vem muito mais por aí.



